Publicado em 03/11/2026
A inteligência artificial está redesenhando as prioridades de infraestrutura nos data centers globais, e uma das consequências mais inesperadas é o ressurgimento das fitas magnéticas. A Fujifilm anunciou um investimento de R$ 344 milhões para ampliar significativamente sua produção dessa mídia, refletindo uma realidade que gestores de TI não podem ignorar: tecnologias antigas voltam a fazer sentido quando o contexto muda.
A explosão de dados gerados e processados por sistemas de IA criou um desafio de armazenamento sem precedentes para data centers e provedores de nuvem. Fitas LTO (Linear Tape-Open), praticamente esquecidas no uso doméstico, nunca deixaram de ser relevantes em ambientes corporativos, mas agora enfrentam demanda muito maior. A Fujifilm, que atua nesse segmento desde a década de 1950, pretende quintuplicar sua capacidade produtiva até 2028, comparado ao volume de 2025, refletindo a intensidade dessa procura.
Os cartuchos mais modernos, como o LTO Ultrium10 que chegou em 2025, armazenam até 40 TB nativos ou 100 TB comprimidos. Para empresas que precisam guardar volumes imensos de dados por longos períodos — treinamentos de modelos de IA, logs, backups — essa capacidade combinada com o custo operacional torna as fitas competitivas diante de alternativas como HDDs e SSDs, cujos preços subiram devido à crise do setor de chips de memória.
Para situações em que os dados não precisam estar constantemente acessíveis, manter informações em fita sai consideravelmente mais barato que em discos. Essa economia é especialmente relevante quando se trata de arquivos que serão consultados raramente ou em contextos de conformidade regulatória, onde a retenção prolongada de dados é obrigatória.
Além do aspecto financeiro, as fitas oferecem um benefício de segurança muitas vezes negligenciado: podem ser removidas dos leitores e armazenadas fisicamente desconectadas da rede, criando o que se chama air-gap. Para uma empresa preocupada com ransomware e ataques cibernéticos, manter cópias de backup totalmente isoladas da infraestrutura conectada é uma estratégia de defesa valiosa e comprovada.
Esse movimento da Fujifilm não é isolado; sinaliza que fitas magnéticas continuarão a ser parte legítima da estratégia de armazenamento empresarial, especialmente à medida que a IA multiplica os volumes de dados. Gestores que descartaram essa tecnologia como obsoleta precisam reconsiderar sua posição diante de novos cenários de custo-benefício.
A lição prática é que não existe tecnologia simplesmente antiga ou nova; o que muda é a adequação dela ao problema. Quando bilhões de ienes de investimento industrial convergem para um produto que você achou que tinha desaparecido, é sinal de que as premissas operacionais evoluíram.
Fonte: Tecnoblog (publicado em 02/11/2026). Texto elaborado pela Winit a partir de informações públicas da fonte citada.
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