Publicado em 30/09/2026
Hackers ampliaram seus alvos e agora miram especificamente em contas de inteligência artificial dentro de organizações. Uma análise de registros coletados por malwares revelou que criminosos conseguem extrair muito mais do que apenas senhas quando comprometem essas credenciais.
Quando um hacker rouba a credencial de uma conta corporativa de ChatGPT ou plataforma similar, o acesso vai além de uma simples autenticação. O criminoso consegue navegar todo o histórico de conversas mantidas pela empresa, visualizar códigos compartilhados, acessar documentos internos que foram analisados ou processados pela IA, e obter chaves criptográficas usadas para acessar outros sistemas e modelos proprietários.
Isso representa um risco em cascata: uma única conta comprometida pode abrir portas para informações estratégicas, propriedade intelectual e infraestrutura de segurança que a empresa acreditava estar protegida apenas pela senha inicial.
Um levantamento da empresa de cibersegurança SOCRadar analisou mais de 1 milhão de registros coletados por infostealers, malwares especializados em extrair dados de dispositivos infectados. Os registros estavam associados a serviços de IA e abrangiam mais de 80 mil domínios corporativos. Uma análise focada em 482 grandes empresas de 36 países e oito setores encontrou 5.434 registros vinculados a cerca de 1,5 mil endereços de e-mail corporativos, com 295 companhias detectadas nos últimos 90 dias.
Esses números indicam que a ameaça não é teórica nem isolada. O padrão revela uma tendência clara de criminosos refinando suas técnicas para explorar a adoção crescente de ferramentas de IA pelas empresas.
Os malwares responsáveis por esse roubo de credenciais não necessariamente invadem as redes corporativas diretamente. Muitas vezes, eles infectam computadores pessoais de funcionários ou dispositivos que conectam à rede corporativa. Quando um colaborador usa sua credencial corporativa de IA em uma máquina comprometida, o malware registra e transmite essa informação aos criminosos.
Esse cenário destaca por que simplesmente usar uma plataforma de IA conhecida não oferece proteção contra roubo de credenciais. A vulnerabilidade está na cadeia de segurança do dispositivo e do gerenciamento de acessos, não na ferramenta de IA em si.
Fonte: Canaltech (publicado em 29/09/2026). Texto elaborado pela Winit a partir de informações públicas da fonte citada.